sábado, 18 de fevereiro de 2012

27 anos depois



Em 1983 coube-nos a honra de irmos inaugurar Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes nas suas actuais instalações. Antes disso as aulas eram divididas entre a velhinha escola com duas entradas, uma pela Rua Professor José  Buisel e outra pela Rua do Forno (onde funciona actualmente o pólo do ISMAT), o anexo na Rua de Santa Isabel e o pavilhão de ginástica e de trabalhos oficinais na Rua Vicente Vaz das Vacas.
Estávamos no 11º ano no ano lectivo de 1984/1985. O último dia de aulas era sempre aguardado com espectativa e, aos 17/18 anos, não nos apercebemos do verdadeiro contributo que aqueles professores, amigos e companheiros desempenharam na nossa formação pessoal, social e profissional. Nos últimos dias de aulas, o furacão de emoções é tão grande com a alegria de nos livrarmos dos livros e daquela obrigatoriedade, que não nos apercebemos que cada um de nós irá, a partir daquele dia, seguir por estradas diferentes e, alguns de nós nunca mais se irão encontrar, e outros que levarão várias décadas até que se revejam.
A noite de 4 de Fevereiro de 2012 foi uma noite muito especial em que se conseguiu fazer a “magia” de voltar a reunir catorze pessoas (além de mim e dos colegas referidos abaixo, estiveram presentes a Margarida Reis, a Jovita Catarino, a Manuela Duarte, a Paula Maudslay, a Fernanda Pio, o José  Gabriel Coelho, o Paulo Barradas, o Manuel Godinho, o Rui Marreiros e o Eurico Lourenço), cujo destino separou naquele dia e algumas das quais não se viam há cerca de 27 anos (!) apesar de muitas delas continuarem a viver na mesma cidade!
Existiram alguns que não responderam à chamada e outros que não puderam comparecer por motivos pessoais ou profissionais. De qualquer modo continuam a ter um lugar especial nos nossos corações.
Passados 27 anos soube-nos bem reencontrar antigos companheiros. Alguns fizeram milhares de quilómetros para estarem presentes, como o Luís Borges que veio da Holanda ou o António Manuel Venda que veio do Alentejo e outros que sacrificaram a sua vida pessoal só para estarem presentes.
A sensação que tive foi de que o relógio tinha parado no último dia de aulas e que tinha recomeçado a funcionar a partir daquela noite. Não fosse o facto de o espelho teimar em reflectir os cabelos agora brancos e os quilinhos a mais e diria que tinha regressado aos meus 18 anos. As senhoras sempre magníficas, com maquilhagem e os cabelos pintados parecem nitidamente mais novas que nós, homens (que inveja!!!).
Benditas redes sociais e novas tecnologias sem as quais, creio que alguns de nós nunca mais se reencontrariam, a não ser que a SIC ressuscitasse o famoso programa “Ponto de Encontro” com o saudoso Henrique Mendes – hoje compreendo que os abraços e lágrimas que se viam correr naquele programa eram de facto genuínos e não fruto de uma qualquer encenação.
Alguns de nós já tínhamos sido convidados, há uns anos, creio que pelo 25º aniversário da Escola, a estarmos presentes num jantar de antigos alunos. Mas, no meio de uma imensidão de gente, apenas nos reencontrámos 4 ou 5 colegas de turma, entre os quais foram trocados contactos pessoais (números de telefone, endereços demail, etc…). Há uns meses, ao dar volta aos álbuns fotográficos, resolvi publicar fotos daquela altura na minha página pessoal do Facebook e identificar alguns dos ex-colegas. Esses colegas começaram a questionar sobre o paradeiro de outros ex-colegas fotografados naquela altura (último dia de aulas). Resolvemos unir esforços: eu, o António Venda e a Isabel (Bita) de modo a reunirmos o maior número de presentes naquela foto de grupo. Através do Linked-in e do Facebook conseguimos chegar até alguns mas nem todos responderam aos apelos (email e pedidos de amizade via Facebook). Contudo, aderiram à ideia catorze, entre eles o Luís Borges, que se encontra actualmente a viver na Holanda. Houve por isso necessidade de programar o jantar com pelo menos um mês de antecedência, de modo a que aqueles que estivessem mais distantes tivessem tempo para preparar a sua deslocação.
O local escolhido também não foi inocente. Foi escolhido o restaurante “A Nossa Tasca”  por ser propriedade de uma antiga aluna da mesma escola, apesar de nunca ter sido da nossa turma, mas que era conhecida de quase todos por ser gémea com o João e por serem filhos dos donos do restaurante “O  Mata-Porcos”.
O jantar estava marcado para as 20:00h e foi com emoção e alegria que foram chegando um a um e partilhando com os outros o respectivo percurso de vida. Após o jantar alguns fizeram-se à estrada porque tinham um longo caminho ainda a percorrer e nós, os restantes rumámos a um barzinho frente à escola velha, onde bebemos umas “minis” e permanecemos até cerca das três da manhã.
Uns com percursos mais sinuosos, outros com histórias de vida e carreiras fantásticas, todos os presentes foram de facto peças chave uma noite de imensa felicidade.
Como dizia Antoine de Saint Exupérie: "Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós, deixam-nos um pouco de si e levam um pouco de nós” 

Notícia redigida e enviada por João Lúcio, a quem se agradece.