terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Dia internacional da língua materna


A recente polémica em torno da implementação do acordo ortográfico trouxe para a vida quotidiana múltiplas opiniões sobre a nossa identidade cultural e linguística. Apesar de ser tantas vezes menosprezada e mal tratada pelos seus falantes, em alguns momentos, erguemo-nos em defesa da nossa língua. Contudo, muitos dos que opinam sobre as recentes alterações, provavelmente, desconhecerão que hoje, dia 21 de fevereiro, se comemora o Dia Internacional da Língua Materna. De todas as línguas maternas, não só do português. De todas as línguas, com mais ou menos falantes, que com elas recortam o mundo.

Num momento em que tanto se assiste à ditadura do poder económico, as questões linguísticas parecem-nos menores, talvez porque, para nós, recentemente, não tenha havido grandes problemas de identidade daí decorrentes. Mas importa não esquecer que, um pouco por todo o mundo, há povos que lutam pela sua autodeterminação e que a língua, não poucas vezes, é o argumento-chave e o património capaz de contribuir para a sua individualização. Numa Europa que se quer plurilingue, é curioso verificar que o seu coração, a Bélgica, apresenta um conflito, ora mais latente, ora mais visível, em que as questões linguísticas se revestem de grande importância.

Quando quase todo o mundo fala inglês, como segunda língua, faz sentido assinalar este dia, criado para celebrar a diversidade, a diferença e a importância das línguas maternas. A UNESCO e a União Europeia têm traçado políticas linguísticas que promovem essa diversidade e pugnam pela manutenção dessas línguas, algumas delas minoritárias, mas não menores.

Neste contexto, o português, com cerca de 250 milhões de falantes, espalhados pelo mundo, ilustra bem essa diversidade. Para além disso, as novas tecnologias de ensino, nomeadamente o ensino a distância, têm permitido que um número crescente de estrangeiros queira aprender o nosso idioma. E porque estamos numa escola, importa não esquecer a complexidade do processo de ensinar e de aprender a língua materna, porque ela é o objeto de estudo e é através dela que se acede a esse saber e, ouso dizê-lo, ao saber, em geral.

Herdeira de um passado grego e latino, matizado por influências de outros continentes e de outros idiomas, a língua portuguesa é, também, uma língua de futuro, língua de trabalho e de comunicação internacional, um património que importa valorizar e preservar, todos os dias.

Para visitar o Museu da Língua Portuguesa, carregue aqui.


Luís Pinto Salema
(Professor de Português, Latim e Grego, na ESMTG)